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Uma Nação que deixa de honrar os seus militares começa, inevitavelmente, a perder o respeito por si própria. A grandeza de Portugal não se mede apenas pela dimensão do seu território, pelo número dos seus habitantes ou pela expressão da sua economia.

César DePaço

Mede-se pela força da sua identidade, pela fidelidade à sua História, pelo respeito pela Bandeira e pela determinação com que defende a sua soberania. Mede-se, sobretudo, pela qualidade dos homens e das mulheres que estão dispostos a servir a Pátria, mesmo quando esse serviço lhes pode exigir o sacrifício da própria vida.

Entre as instituições nacionais, poucas merecem tanto respeito como as Forças Armadas Portuguesas. Numa época em que o relativismo procura transformar valores permanentes em conceitos negociáveis, os militares continuam a representar princípios que nenhuma sociedade civilizada deveria abandonar: honra, disciplina, hierarquia, lealdade, coragem, autoridade, responsabilidade e cumprimento do dever.
 

Portugal possui uma das mais antigas identidades nacionais da Europa.


Não nasceu de uma decisão burocrática, de uma comissão internacional ou de um acordo elaborado em qualquer gabinete estrangeiro. Portugal foi construído pela coragem dos seus antepassados, defendido pelas suas armas e consolidado pelo sacrifício de sucessivas gerações.

Durante quase nove séculos, militares portugueses combateram, navegaram, voaram, sofreram e morreram sob a mesma Bandeira. O mínimo que a geração actual lhes deve é respeito, gratidão e memória.

As Forças Armadas Portuguesas são constituídas por três ramos: a Marinha, o Exército e a Força Aérea. Cada ramo possui a sua identidade, as suas tradições, os seus símbolos e as suas capacidades próprias. Todos, porém, obedecem a uma missão superior: defender Portugal, proteger os Portugueses e preservar a independência nacional.

 

A Marinha Portuguesa

A Marinha Portuguesa representa a ligação histórica e espiritual entre Portugal e o mar. Foi através do Atlântico que uma pequena Nação europeia se projectou para o Mundo, enfrentando o desconhecido e escrevendo algumas das páginas mais extraordinárias da História da Humanidade.

O lema da Marinha, «Talant de bien faire», significa vontade de bem fazer. Não significa esperar que outros façam, transferir responsabilidades ou procurar desculpas. Significa cumprir a missão com rigor, competência e permanente procura da perfeição.

Actualmente, a Marinha protege as águas territoriais portuguesas, vigia uma das mais importantes zonas marítimas da Europa, participa em operações de busca e salvamento, combate actividades ilícitas e garante a presença soberana de Portugal no mar.

No seu seio, os Fuzileiros representam a prontidão, a resistência e a vocação combatente. O seu lema, «Braço às armas feito», recorda que a liberdade e a soberania não sobrevivem apenas através de discursos. Necessitam de homens preparados, treinados e determinados a defendê-las.

Os Fuzileiros não são formados para procurar conforto, reconhecimento mediático ou aprovação social. São preparados para cumprir a missão, enfrentar o perigo e avançar quando outros recuam. Essa cultura de exigência deveria inspirar uma sociedade que demasiadas vezes confunde direitos com privilégios e liberdade com ausência de responsabilidade.

A grandeza da Marinha encontra-se igualmente nas tripulações dos navios, nos submarinistas, nos mergulhadores, nos especialistas técnicos e em todos os militares que servem longe das suas famílias para que Portugal mantenha uma presença efectiva no mar.

 

O Exército Português

O Exército constitui a principal força terrestre da defesa nacional e é herdeiro de uma História de coragem, sacrifício e resistência.

O seu lema, «Em perigos e guerras esforçados», traduz a disposição de servir mesmo perante circunstâncias que ultrapassam os limites da força humana. Num tempo em que tantos procuram o caminho mais fácil, o Exército continua a ensinar que nada de verdadeiramente importante se constrói sem esforço, disciplina e sacrifício.

Entre as suas tropas de maior exigência operacional encontram-se os Comandos. A sua divisa, «Mama Sume», significa «A sorte protege os audazes». Os Comandos representam coragem, agressividade operacional, rapidez e determinação. A sua missão não admite hesitações, desculpas ou fragilidades artificialmente transformadas em virtudes.

Encontram-se igualmente os Paraquedistas, orientados pelo lema «Que nunca por vencidos se conheçam». A sua capacidade de projecção imediata e a sua disponibilidade para actuar em condições de elevado risco demonstram que a superioridade militar nasce da preparação, da coragem e da vontade de vencer.

As tropas de Operações Especiais adoptam como divisa «Que os muitos, por ser poucos, não temamos». Trata-se de uma afirmação profundamente portuguesa. A superioridade numérica nunca intimidou aqueles que possuem melhor preparação, maior determinação e absoluta confiança na missão que lhes foi confiada.

Estes lemas não são ornamentos cerimoniais. São códigos de honra. Representam compromissos assumidos perante a Pátria, os camaradas e a Bandeira. Recordam-nos que a coragem não é a ausência de medo, mas a capacidade de cumprir o dever apesar dele.

Todavia, o Exército não é constituído apenas pelas suas tropas especiais. A Infantaria, a Cavalaria, a Artilharia, a Engenharia, as Transmissões, a Logística, a Saúde Militar e todas as restantes especialidades são indispensáveis ao cumprimento da missão. Uma força militar verdadeiramente eficaz não se constrói com protagonismos individuais, mas com disciplina colectiva, hierarquia e respeito pela cadeia de comando.

 

A Força Aérea Portuguesa

A Força Aérea Portuguesa assegura a defesa e a vigilância do espaço aéreo nacional, bem como missões de transporte, busca e salvamento, evacuação médica e apoio às populações.

O seu lema, «Ex Mero Motu», significa por movimento próprio ou por iniciativa própria. Representa o mérito, a autonomia, a prontidão e a capacidade de agir. É precisamente o contrário da mentalidade de dependência que espera sempre que o Estado, uma organização internacional ou outro país resolva os problemas que competem aos Portugueses solucionar.

Portugal não termina na costa continental. Os Açores e a Madeira são parcelas fundamentais e inalienáveis do território nacional. A Força Aérea aproxima estas diferentes parcelas da Pátria, protege os céus portugueses e garante uma capacidade estratégica indispensável a um País com uma posição privilegiada no Atlântico.

Os pilotos constituem a face mais visível deste ramo, mas cada missão depende do trabalho rigoroso dos controladores, mecânicos, engenheiros, técnicos, operadores, militares da Polícia Aérea e de todos aqueles que garantem a segurança das bases e a operacionalidade das aeronaves.

Nas Forças Armadas, o mérito não pode ser substituído por quotas ideológicas, conveniências políticas ou critérios de representação artificial. Uma missão militar exige que cada função seja atribuída à pessoa mais preparada, mais competente e mais capaz de a desempenhar. No campo de batalha, a realidade não se submete às modas ideológicas.

César DePaço
Empresário e filantropo
Cônsul ad honorem de Portugal entre 2014 e 2020
Fundador e Director Executivo da Summit Nutritionals International Inc.
Fundador e Presidente do Conselho de Administração da Fundação DePaço
Defensor incondicional das forças de segurança e dos princípios conservadores

 

Esta é uma coluna de opinião do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do jornal.