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César DePaço

Numa sociedade verdadeiramente sã e civilizada, o princípio segundo o qual toda a vida humana possui idêntico valor deveria constituir verdade inquestionável. A expressão todas as vidas importam nasceu como um apelo à unidade, um lembrete de que a justiça perde o seu sentido quando se torna selectiva. Contudo, na atmosfera moralmente enferma do nosso tempo, afirmar que as vidas brancas importam converteu-se em acto de silenciosa rebeldia.

O paradoxo é evidente. Vivemos uma época em que a inclusão se proclama em todos os púlpitos mediáticos e académicos, mas a exclusão pratica-se com impunidade contra quem se atreve a reafirmar a universalidade do valor humano. Um lema concebido para exprimir solidariedade, White Lives Matter, é hoje condenado como ofensivo, extremista ou até odioso. As mesmas plataformas que se declaram defensoras da diversidade de expressão apressam-se a silenciar, censurar ou ridicularizar quem profere essas três simples palavras.

Isto não é justiça, é inversão moral. Denigrir um grupo em nome de outro não é igualdade, é discriminação sob outra forma. A verdadeira igualdade exige coerência. Se a sociedade insiste em proclamar que Black Lives Matter, Asian Lives Matter e Trans Lives Matter, então deve igualmente reconhecer que White Lives Matter. Caso contrário, já não se trata de igualdade, mas de hierarquia ideológica.

Convém recordar que, ao contrário do que a propaganda dominante sugere, os povos de ascendência europeia representam hoje uma minoria demográfica no mundo. Paradoxalmente, essa minoria é tratada como se fosse uma maioria opressora, devendo pedir desculpa pela sua própria existência cultural. Nenhuma civilização pode prosperar quando se ensina uma parte dos seus filhos a envergonhar-se da sua herança.

As redes sociais, outrora apresentadas como tribunas do diálogo livre, tornaram-se modernos tribunais inquisitoriais. Bane-se, censura-se e apaga-se todo o pensamento que se afaste da narrativa permitida. Tal conduta não é apenas antidemocrática, é profundamente perigosa, pois destrói o próprio fundamento da convivência civilizada: o livre intercâmbio das ideias.

A História ensina-nos que a verdade não sobrevive onde a palavra é reprimida. Quando a dor de uns é amplificada e a de outros desprezada, germina o ressentimento, aprofunda-se a divisão e desfaz-se o tecido moral da Nação. A força ética de um povo não se mede pela protecção que concede aos que se ofendem, mas pela coragem com que defende o direito de todos a exprimir-se, mesmo e sobretudo quando tal se torna impopular.

Enquanto não chegar o dia em que toda a vida realmente importe sem excepção, permaneceremos uma sociedade que proclama igualdade e pratica exclusão.

César DePaço
Empresário e Filantropo
Cônsul ad-honorem de Portugal (2014 a 2020)
Fundador e CEO da Summit Nutritionals International Inc.
Presidente da Fundação DePaço
Defensor incondicional das Forças de Segurança e dos Princípios Conservadores

 


Fonte: LusoAmericano