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Ao cuidar de um cão, o homem preserva mais do que a vida de um animal

O Empresário César DePaço e o seu Canídeo

O Empresário César DePaço e o seu Canídeo

Entre todas as relações que o ser humano estabeleceu ao longo da sua história, poucas revelam uma harmonia tão profunda, discreta e duradoura como a que une o homem ao cão. Não se trata de um vínculo circunstancial nem de uma afeição passageira, mas de uma convivência moldada por séculos de proximidade, confiança mútua e lealdade silenciosa, construída lentamente ao longo do tempo e confirmada diariamente na experiência vivida.

O cão não foi apenas domesticado no sentido técnico do termo. Foi integrado na vida humana como presença constante e confiável, partilhando o espaço doméstico, o trabalho e, muitas vezes, o destino do próprio homem. 

Desde as primeiras comunidades organizadas, acompanhou o ser humano na guarda dos rebanhos, na defesa do lar, na vigilância nocturna e no auxílio à caça. Em troca de abrigo, alimento e cuidado, ofereceu uma dedicação contínua, uma atenção vigilante e uma fidelidade que não conhece interrupções nem hesitações.

A singularidade desta relação reside na sua natureza desinteressada. O cão não avalia o homem pelo poder, pela riqueza ou pelo reconhecimento social. Reconhece-o pela constância do carácter, pela regularidade dos gestos e pela coerência da conduta. Responde à autoridade quando esta é justa, à afectividade quando é sincera e à presença quando é verdadeira. Num mundo frequentemente marcado pela instabilidade emocional e pela superficialidade das relações humanas, o cão permanece como um ponto de equilíbrio e de autenticidade.

Existe igualmente uma dimensão pedagógica profunda nesta convivência. O cão educa sem discursos. Ensina a disciplina através da rotina diária, a responsabilidade pelo cuidado constante e o valor do compromisso assumido. Exige atenção regular, respeito pelo seu ritmo e compreensão das suas necessidades, lembrando ao homem que toda a relação duradoura se constrói através da constância e não do impulso. Ao mesmo tempo, desperta a empatia humana pela sua sensibilidade às emoções, respondendo ao estado de espírito do seu dono com uma presença atenta e ajustada.

Em momentos de solidão, de cansaço ou de provação moral, a simples companhia de um cão oferece um conforto que dispensa explicações. O silêncio partilhado torna-se eloquente. A proximidade física, discreta e respeitosa, traduz uma forma de solidariedade que não exige palavras nem promessas. A fidelidade do cão não é negociada nem condicionada. Manifesta-se nos pequenos actos quotidianos, na espera paciente, no olhar atento e na disponibilidade permanente.

Para além do espaço doméstico, o papel do cão ao serviço da comunidade assume uma importância decisiva no âmbito da segurança pública, da ordem social e da protecção da vida humana. No apoio às forças de segurança, o cão revela-se absolutamente indispensável. A sua acuidade sensorial, a sua obediência rigorosa, a sua estabilidade emocional e a sua coragem silenciosa fazem dele um elemento insubstituível na prevenção e combate ao crime, na detecção de substâncias ilícitas, na localização de pessoas desaparecidas, na protecção de instalações sensíveis e na salvaguarda da integridade física dos próprios agentes.

O cão actua com disciplina exemplar e lealdade total, expondo-se frequentemente ao perigo sem consciência do risco, movido apenas pelo sentido de dever e pelo vínculo ao seu condutor. A sua presença no terreno reforça a eficácia operacional, dissuade comportamentos criminosos e contribui de forma directa para a preservação da ordem e da segurança colectivas. Trata-se de um serviço silencioso, raramente reconhecido na sua justa medida, mas de valor incalculável para a sociedade.

Assume igualmente particular relevância a função do cão enquanto animal de serviço e de assistência directa ao ser humano em situação de fragilidade física ou sensorial. Os cães-guia permitem às pessoas cegas ou com visão severamente reduzida deslocarem-se com segurança, autonomia e dignidade, substituindo o medo pela confiança e o isolamento pela participação plena na vida social. Orientam, alertam para obstáculos, respeitam sinais e decisões humanas, e tornam-se uma extensão sensível da própria vontade do seu utilizador.

Outros cães de serviço prestam auxílio a pessoas com limitações motoras, recolhendo objectos, abrindo portas, apoiando deslocações e oferecendo estabilidade física. Existem ainda cães preparados para alertar pessoas com epilepsia, diabetes ou outras condições médicas para alterações iminentes no seu estado de saúde, permitindo uma intervenção atempada e, muitas vezes, salvadora. Em todos estes casos, o cão não actua como simples instrumento, mas como parceiro atento, disciplinado e profundamente dedicado.
 

Importa igualmente sublinhar o contributo do cão em operações de busca e salvamento, em cenários de catástrofe natural, acidentes graves ou situações de isolamento extremo. A sua capacidade de orientação, resistência física e persistência metódica permite salvar vidas quando os meios humanos e tecnológicos se revelam insuficientes. Nestes contextos, o cão age sem distinções, guiado apenas pela necessidade humana e pelo dever de servir.


A beleza da relação entre o homem e o cão reside, em grande medida, na sua simplicidade essencial. Trata-se de um vínculo fundado na confiança, no respeito e na presença constante, e não na posse ou na utilidade imediata. Esta relação recorda ao homem que a dignidade não se afirma através do ruído, mas da coerência, e que a lealdade verdadeira se prova no tempo e não na retórica.

Ao cuidar de um cão, o homem preserva mais do que a vida de um animal. Preserva um património moral, cívico e humano que atravessa gerações. O cão representa uma memória viva de valores fundamentais como a fidelidade, a coragem serena, a contenção, a vigilância, o sentido de dever e a companhia desinteressada. Permanece ao lado do homem como testemunha silenciosa da sua melhor natureza, exigindo apenas respeito, responsabilidade e a dignidade de quem sabe honrar a confiança que lhe foi, livremente, concedida.

César DePaço
Empresário e filantropo
Cônsul ad honorem de Portugal (2014–2020)
Fundador e CEO da Summit Nutritionals International Inc.
Presidente da Fundação DePaço
Defensor incondicional das forças de segurança e dos princípios conservadores